antes de ir

nesse último mês teve de tudo um pouco: horta, macrobiótica, literatura, bichos, mais construção natural, encontro aguardado com irmã (e outros encontros inesperados também). na próxima semana tem Goiás.

mas, antes de ir embora daqui, queria registrar uma coisa já um pouco antiga. quando comecei a viver em Cholila, eu lia muito jornal. em parte, pra aprender o castelhano e, em parte, pra ficar um pouco por dentro dos temas locais. lembro uma notícia que me chocou muito na época: era sobre o número de estrangeiras que tinham sido estupradas recentemente no norte do país. a reportagem narrava dois casos que tinham ocorrido na mesma semana na província de Salta, se não me engano. em uma das histórias, o estuprador era um guia que a tal turista havia contratado para fazer uma trilha.

o mais impressionante da reportagem, porém, era a declaração do secretário de segurança sobre o caso: ele disse que não se sabia bem como as coisas tinham se passado e que talvez a culpa tivesse sido um pouco das estrangeiras, que se costumam se sentir seguras demais em outros países. a culpabilização da mulher estuprada é um discurso que nunca deveria estar presente, mas Continuar lendo

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memória

“do que você mais gostou?” é a pergunta que meus pais me fazem desde sempre quando eu volto de algum passeio, seja sozinha, com amigos, com escola ou com família. e eu detesto, porque nunca sei o que responder e fico com cara de boba tentando escolher alguma coisa aleatoriamente.

pois agora, se me vierem com essa indagação em relação a Santiago, a resposta está na ponta da língua:  minha coisa preferida foi o museu da memória e dos direitos humanos. ele é muito recente – de 2010 – e tem uma mostra permanente enorme com uma quantidade espantosa de material sobre a ditadura de 1973-1990. além disso, no subsolo funciona um centro de documentação público que me pareceu organizadíssimo.

o museu poderia, é verdade, explicar melhor a situação que o Chile vivia imediatamente antes do 11 de setembro, e não o faz: o enfoque é o que aconteceu durante a ditadura, e não o que vinha ocorrendo antes nem como o golpe foi organizado. mesmo assim, a visita vale muito a pena. Continuar lendo

¡no a la mina!

desde que pus os pés em Chubut, há pouco mais de um mês, venho ensaiando escrever aqui sobre o único tema que realmente parece abalar os nervos desta calma província: a mineração.

ainda não havia escrito nada pelo simples fato de que não consegui – por falta de tempo, mas principalmente por falta de gente para conversar – reunir muita informação de qualidade sobre o assunto.

mas esse não é, afinal, um blog jornalístico e muito menos científico, certo? então hoje decidi deixar pra lá o preciosismo e anotar um pouco do que entendi a partir de tudo o que li e ouvi até agora, já que o negócio é muito marcante e não deve passar em branco. Continuar lendo