seis

Eu sempre pensei que, com o tempo, a dor fosse minguando. Não vai. Segue cheia. Muda um pouco, é verdade. Tanto que agora eu consigo escrever alguma coisa sobre ela.

Também segue cheia a ilusão da presença.

No início do ano eu pesquei no facebook um vídeo com algumas jogadas magistrais do Maradona. “Putz, preciso mandar pro meu pai”. A ideia me veio à cabeça mais rápido que o raciocínio, e o vazio que veio no próximo milissegundo foi um abismo.

Outro dia passei de ônibus com Clarice pelo Campo de Santana. Era dia de São Jorge. Ela quis descer. Entramos na igreja lotada e, enquanto nos esprememos seguindo o fluxo que levava ao altar, eu tentava explicar a ela minimamente o contexto. Finalmente paramos diante da enorme imagem do santo (Clarice gostou do cavalo) e minha ação automática foi a de repetir o que, havia anos, eu pedia mecanicamente Continuar lendo

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