“o pão da Beth” ou “como fui recebida em Goiás”

“você é a Raquel, então? eu sei, a menina do Rio… já me falaram de você”. no princípio, confesso que fiquei um pouco surpresa com a fala do rapaz, mas, pensando bem, até que era mais ou menos natural.

eu havia chegado a Pirenópolis apenas dois dias antes e já acenava para alguns conhecidos na rua. em realidade, num lugar como Piri, conseguir isso não é tarefa das mais difíceis. basta ir à feira, tomar um café no armazém e dar uma volta pelo centro e já está: fatalmente, as carinhas começam a se repetir e você se sente um pouco local.

no entanto, uma coisa é reconhecer as carinhas; outra, bem distinta, é de fato falar com elas. no meu caso, considerando-se a patente timidez que me é constitutiva, dir-se-ia que a simples distribuição de tchauzinhos por minha parte era quase um milagre – apenas alcançado, creio eu, graças à enorme popularidade da Beth dos Pães, que vivia e trabalhava no lugar onde acampei durante minhas primeiras noites na cidade.

como eu disse, é fácil ser popular em Piri. só que eu ainda não sabia disso quando cheguei e, então, a Beth me Continuar lendo

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