encosta a sua cabecinha

o Houaiss tava dando sopa na minha frente, decidi abrir e ver as definições de “manha”. algumas delas: “habilidade de enganar, despistar, desorientar; astúcia, esperteza, malícia”, “meio oculto, processo particular e eficaz para alcançar um objetivo, conseguir um dado efeito; segredo”, “choro ou lamento de criança, obstinado e sem motivo”.

eu sou meio chorona. nunca choro porque tenho fome ou sede ou porque estou suja, mas é comum eu chorar de saudade, de solidão, de medo, porque quero colo. nos últimos tempos já me peguei chorando de sono algumas vezes, madrugada adentro. no meio desses choros, se alguém me distrai ou me consola, com frequência eu dou uma risadinha antes de cair no choro de novo. às vezes eu choro pelos motivos mais malucos (ano passado chorei horrores num dia em que, grávida e com a pressão meio baixa, entrei na fila preferencial e as pessoas ao redor começaram a gritar que eu era fura-fila. isso porque, Continuar lendo

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travessia

dia desses minha irmã me perguntou se eu tinha parado com o blog. parei, ué. era pra escrever sobre a viagem; a viagem estancou; não era pra parar? que não, não necessariamente, ela me disse, e então eu pensei que ensaiar uma ou outra linha aqui de vez em quando podia ser bom para a posteridade, né mesmo? é.

não que minhas viagens atuais sejam de grande interesse.

estou grávida.

quando fiz o xixi no potinho do Gravindex (não sei como é possível levar a sério um teste com esse nome), eu não acreditava muito que pudesse dar positivo, não. tanto que não estava nada apreensiva nem fiquei contando os minutos pra ver aparecer a tal fita rosa: fui m’embora plantar umas mudinhas, deixei pra lá, só fui ver nem sei quanto tempo depois. e não me surpreendi nem um pouco ao verificar o que me parecia um resultado claramente negativo. tava lá: uma linha rosa e ponto final.

quer dizer, uma linha rosa e uma e vírgula. porque assim, Continuar lendo

aldeia velha, 28 de dezembro de 2012

eu gosto de cartas. quando era pequena, gostava de abrir a caixa do correio e ver aquela papelada dentro – inclusive um ou outro envelope com pinta de corrente, que minha mãe não queria abrir porque, se a gente lesse, ia ficar assustada com o conteúdo e ia acabar tendo que passar adiante sob a pena de morrermos no décimo dia –, gostava quando era natal e tínhamos um porta-cartas de tapeçaria feito especialmente por ela para a época, gostava quando chegavam os cartões com os mesmos dizeres de sempre – felicidade, prosperidade, adeus ano velho, era meio bobo, mas dava a sensação de que a gente era lembrado.

gostava de ter uma prima lá longe que me escrevia de vez em quando, eu escrevia de volta e guardo as cartinhas até hoje. gostei quando, mais tarde, mas ainda antes da internet, encontrei não me lembro como duas meninas com quem eu me correspondia – uma no Canadá, outra nos Estados Unidos, essa aí me parecia aqueles estereótipos de menina americana de filme, um dia até me mandou de presente uma bandeirola do país. foram pouquíssimas Continuar lendo

visita guiada

dizem os entendidos que viajar é importantíssimo para a formação do espírito…

Petrópolis é aquele lugar em numa bela manhã você sai pela sua portaria e, ao mesmo tempo, uma grande amiga de infância e de sempre está passando na calçada, por puro acaso (nada a ver com o encontro que as duas já têm combinado para dois dias depois). você começa a conversar animada e, antes que se passem cinco minutos, olha para a esquerda e vê que se aproxima uma outra grande amiga, com um envelope na mão: é que ela estava justamente indo deixar uma cartinha na sua caixa de correios, como nos velhos tempos.

aí você conversa um pouco mais, reforça o agendamento do encontro e sai andando debaixo daquele céu muito azul e envolta por aquele ar gostoso, então passa na calçada por um senhor, aquele com quem nunca conversou mas de quem tirou um retrato certa ocasião, numa folia de reis anos atrás – o rosto muito preto, os olhos meio úmidos – e que desde então vê bastante na rua, e repara e pensa na foto.

não são necessários muitos mais passos para que Continuar lendo

sobre os últimos dias

durante a minha primeira semana em cholila, a melhor coisa era era trabalhar o dia inteiro num silêncio quase absoluto, escutando praticamente só o som dos bichos ou do vento.

a segunda melhor coisa, definitivamente, era ouvir esse silêncio ser quebrado pela voz de Toli, que gritava lá de longe: “Raquel, ¡ya está lista la comida!

é sério. imagina almoçar e jantar na casa da sua avó todos os dias. era bem iso. eu tomava o café da manha pensando no almoço e o chá da tarde (sim, tínhamos um chá da tarde) pensando no jantar. um pouco assustador.

Toli é uma senhorinha de uns 80 anos que nao só trabalha em casa como também mantém um salao de chá e uma pousada, e que tem o melhor tempero do mundo. o maridao, miguel, já passou dos 90 anos, e nem por isso é menos ativo – ainda faz lá seus trabalhinhos no jardim.

é com sandra, a filha deles, que tenho trabalhado.

mas depois falo do trabalho. como eu ia dizendo, Continuar lendo

ps

amanhã vou para a nova casa. o que eu sei é que fica no km 20 da ruta 21, em cholila, chubut, e que há dois netinhos. vamos ver no que dá.

quanto às fotos, todo mundo tem me cobrado, mas não está fácil pra mim, viu? até coloquei um link pro flickr ali do lado com a intenção de ir atualizando, mas eu tenho fotografado pouco e, além do mais, a conexão em geral é muito ruim e todos os processos cibernéticos têm sido muito demorados. coloquei algumas poucas coisas no facebook, mas por enquanto isso é praticamente tudo. um dia eu consigo.