quem é vivo…

desapareci.

não foi por mal, mas aos poucos começou a me parecer muito cacete demais escrever este blog, sobretudo quando ninguém – além da tríade mãe-pai-irmã – dava a menor pelota pra ele. mas me dei conta de que, afinal, é mesmo bacana manter este registro. e de que eu não tinha escrito nada desde que pisei de novo no Brasil. poxa, ficaram de fora logo as melhores partes da viagem!

é, meus caros, a Argentina pode até ser (e é) o maior barato, mas acho que a minha sina é positivamente verde e amarela feito a bananeira. falando nisso, todos aqueles meses comendo banana importada do Equador… não, não estava direito. foram meses também sem manga, sem água de coco, sem aipim (não vi nenhum bonito), sem inhame (as únicas pessoas que conheci que sabiam o que era inhame foram os macrobióticos), sem couve, sem barraquinhas vendendo tapioca e milho verde, sem isso e aquilo… dava não.

e, por mais que minhas saudades pareçam todas de gulodice, faltavam também a praia, o sambinha, o forró, faltava ver um povo mais colorido (e não estou falando de roupa: o caso é pele, mesmo), Continuar lendo

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antes de ir

nesse último mês teve de tudo um pouco: horta, macrobiótica, literatura, bichos, mais construção natural, encontro aguardado com irmã (e outros encontros inesperados também). na próxima semana tem Goiás.

mas, antes de ir embora daqui, queria registrar uma coisa já um pouco antiga. quando comecei a viver em Cholila, eu lia muito jornal. em parte, pra aprender o castelhano e, em parte, pra ficar um pouco por dentro dos temas locais. lembro uma notícia que me chocou muito na época: era sobre o número de estrangeiras que tinham sido estupradas recentemente no norte do país. a reportagem narrava dois casos que tinham ocorrido na mesma semana na província de Salta, se não me engano. em uma das histórias, o estuprador era um guia que a tal turista havia contratado para fazer uma trilha.

o mais impressionante da reportagem, porém, era a declaração do secretário de segurança sobre o caso: ele disse que não se sabia bem como as coisas tinham se passado e que talvez a culpa tivesse sido um pouco das estrangeiras, que se costumam se sentir seguras demais em outros países. a culpabilização da mulher estuprada é um discurso que nunca deveria estar presente, mas Continuar lendo

¡no a la mina!

desde que pus os pés em Chubut, há pouco mais de um mês, venho ensaiando escrever aqui sobre o único tema que realmente parece abalar os nervos desta calma província: a mineração.

ainda não havia escrito nada pelo simples fato de que não consegui – por falta de tempo, mas principalmente por falta de gente para conversar – reunir muita informação de qualidade sobre o assunto.

mas esse não é, afinal, um blog jornalístico e muito menos científico, certo? então hoje decidi deixar pra lá o preciosismo e anotar um pouco do que entendi a partir de tudo o que li e ouvi até agora, já que o negócio é muito marcante e não deve passar em branco. Continuar lendo

ao sul do equador

ontem eu e Cata estávamos conversando e ela me falou sobre como determinados aspectos da cultura argentina eram divertidos e inusitados pra ela. por exemplo, me disse que um cara em buenos aires havia lhe explicado que em todo o país há uma coisa curiosíssima: são estabelecimentos parecidos com hotéis, mas que na verdade servem apenas para casais que querem fazer sexo, e…

– mas peraí, Cata, não tem esse tipo de coisa na suécia?
– um hotel só pra sexo? claro que não! tem no brasil?
– claro que tem, ué! pensei que tinha no mundo todo!
– e eu pensei que só tinha na argentina!

mas meu deus, e como fazem todos esses casais de Continuar lendo

sobre os últimos dias

durante a minha primeira semana em cholila, a melhor coisa era era trabalhar o dia inteiro num silêncio quase absoluto, escutando praticamente só o som dos bichos ou do vento.

a segunda melhor coisa, definitivamente, era ouvir esse silêncio ser quebrado pela voz de Toli, que gritava lá de longe: “Raquel, ¡ya está lista la comida!

é sério. imagina almoçar e jantar na casa da sua avó todos os dias. era bem iso. eu tomava o café da manha pensando no almoço e o chá da tarde (sim, tínhamos um chá da tarde) pensando no jantar. um pouco assustador.

Toli é uma senhorinha de uns 80 anos que nao só trabalha em casa como também mantém um salao de chá e uma pousada, e que tem o melhor tempero do mundo. o maridao, miguel, já passou dos 90 anos, e nem por isso é menos ativo – ainda faz lá seus trabalhinhos no jardim.

é com sandra, a filha deles, que tenho trabalhado.

mas depois falo do trabalho. como eu ia dizendo, Continuar lendo

ps

amanhã vou para a nova casa. o que eu sei é que fica no km 20 da ruta 21, em cholila, chubut, e que há dois netinhos. vamos ver no que dá.

quanto às fotos, todo mundo tem me cobrado, mas não está fácil pra mim, viu? até coloquei um link pro flickr ali do lado com a intenção de ir atualizando, mas eu tenho fotografado pouco e, além do mais, a conexão em geral é muito ruim e todos os processos cibernéticos têm sido muito demorados. coloquei algumas poucas coisas no facebook, mas por enquanto isso é praticamente tudo. um dia eu consigo.

começo

vou ser muito sincera.

eu criei este blog antes mesmo de sair do rio, mas não foi por falta de internet nem de computador que ele ainda não foi “inaugurado”. também não foi por falta do que dizer, porque neste último mês muita coisa aconteceu e acho que vai continuar acontecendo.

na verdade, o problema é que simplesmente não encontrei ainda um formato ideal pra escrever aqui – talvez as tentativas de postar com alguma regularidade venham a me ajudar. eu adoro ler relatos detalhados de viagem, com todas as dificuldades e descobertas das pessoas, mas descobri que, quando se trata de fazer meu próprio relato, tenho uma preguiça inacreditável.

eu já poderia ter contado nossos dias de descanso em montevidéu (quando ainda estava com leila e maíra)…

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