piri, mimi, merci

o pancadão não é muito a minha praia, mas eu sou do Rio. isso significa que sei muito bem que batida é essa que na balada é sensação, conheço a diferença entre o charme e o funk, às vezes subo no palco ao som do tamborzão e compreendo perfeitamente que um lance é apenas um lance. sei também que tem gente que sai por aí não pra dar, mas pra distribuir, tanto faz com red label ou ice. daquele jeito, né? solteira sim, sozinha nunca! se tem amor a Jesus Cristo… demorô!

o que eu jamais imaginei é que haveria nesse mundo um mc de sotaque caipira a cantarolar versinhos mais ou menos assim: “ganhei na loteria e fui morar na capital, ééééé, eu to bonito hein muiezada, com dinheiro no bolso e caminhoneta importada, éééeé, eu to bonito hein muiezada”.

pois é, um funk rural! e há outros! eu morreria sem ouvi-los se não fosse pelos conhecimentos musicais de Titouan, em Pirenópolis. “moça, vou falar um negócio procê: isso aqui é bão, moça, mas é muito bão!”.  o sotaque do rapazinho de 13 anos contrasta, e muito, com a fala afrancesada de Mimi, sua mãe – aliás, às vezes nem ela entende direito o Continuar lendo