sobre

tá lá no grande sertão, maravilhoso:

ah, tem uma repetição, que sempre outras vezes em minha vida acontece. eu atravesso as coisas – e no meio da travessia não vejo! – só estava era entretido na ideia dos lugares de saída e de chegada. assaz o senhor sabe: a gente quer passar um rio a nado, e passa; mas vai dar na outra banda é num ponto muito mais em baixo, bem diverso do em que primeiro se pensou. viver nem não é muito perigoso?

(…)

digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia.

 

e tá também em clarissa:

uma vez, há muitos, muitos anos, um menino olhou a vida com olhos interrogadores. tudo era mistério em torno dele. era numa casa grande. o arvoredo que a cercava amanhecia sempre cheio de cantos de pássaros. o mundo não terminava ali no fim daquela rua quieta, que tinha um cego que tocava concertina, um cachorro sem dono que se refrescava ao sol, um português que pelas tardinhas se sentava à frente de sua casa e desejava boa tarde a toda a gente. não. o mundo ia além. além do horizonte havia mais terras, e campos, e montanhas, e cidades, e rios e mares sem fim. dava na gente vontade de correr mundo, andar nos trens que atravessavam as terras, nos vapores que cortam os mares. andar… nos olhos do menino havia uma saudade impossível, a saudade de uma terra nunca vista. um dia – quem sabe? – um dia um vento bom ou mau passa e leva a gente. um dia…

comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s