Entre nós

Quando eu estava cadavérica, cheia de olheira, almoçando barra de chocolate, com a casa constantemente coberta por tufos de cabelo, fedendo a golfada, criando uma ruga por semana e andando o dia inteiro de cima pra baixo com uma criatura que gritava tão, mas tão alto que simplesmente deixá-la chorando não era uma opção viável, não só porque me partiria o coração, como também porque me partiria os tímpanos – nessa época me diziam: vai passar e você vai sentir saudade disso tudo, vai querer voltar no tempo, e eu achava que as pessoas estavam de sacanagem e que eu nunca teria saudade daquilo.

E não tenho mesmo. Aconteceu porque tinha que acontecer, passamos por tudo do jeito que me pareceu o melhor. É claro que minha filha era a coisa mais linda do mundo e eu sentia que poderia explodir de amor, mas minha vontade de voltar àquele tempo é zero.

Porém: não consigo nem quero imaginar uma vida em que eu não precise mais deitar com a pequena e contar histórias e cantarolar músicas da minha infância até ela dormir abraçadinha comigo enquanto eu faço um cafuné e nem consigo levantar depois, de tão bom que é estar ali. Ô fase boa do caramba, viu.

Anúncios

Um comentário sobre “Entre nós

  1. Rita Elizabeth P. Torres Gurgel 07/06/2017 / 14:08

    Visão maravilhosa e verdadeira de mãe!!! Melhor escrita!!!Parabéns!!!

comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s