travessia

dia desses minha irmã me perguntou se eu tinha parado com o blog. parei, ué. era pra escrever sobre a viagem; a viagem estancou; não era pra parar? que não, não necessariamente, ela me disse, e então eu pensei que ensaiar uma ou outra linha aqui de vez em quando podia ser bom para a posteridade, né mesmo? é.

não que minhas viagens atuais sejam de grande interesse.

estou grávida.

quando fiz o xixi no potinho do Gravindex (não sei como é possível levar a sério um teste com esse nome), eu não acreditava muito que pudesse dar positivo, não. tanto que não estava nada apreensiva nem fiquei contando os minutos pra ver aparecer a tal fita rosa: fui m’embora plantar umas mudinhas, deixei pra lá, só fui ver nem sei quanto tempo depois. e não me surpreendi nem um pouco ao verificar o que me parecia um resultado claramente negativo. tava lá: uma linha rosa e ponto final.

quer dizer, uma linha rosa e uma e vírgula. porque assim, olhando muito, muito, muito bem, tinha outra linha quase transparente, que na certa não era nada.

na dúvida, fui perguntar ao google, só pra tranquilizar a consciência. caí num daqueles fóruns de gente que tá tentando engravidar, sabe? uma mulher perguntava o que significava aquilo. “amiga, às vezes isso acontece, mas o resultado com certeza é positivo. agora é só fazer o beta pra confirmar. parabéns, mamãe!” parabéns? hãn?

pois é, disse o dr. google que, aparentemente, abandonar o potinho por muito tempo pode dar nisso de positivo meio apagado.

hum. confesso que a primeira coisa que pensei foi “putaqueopariu, eu moro numa barraca de camping, de favor, debaixo de um bambuzal”. a segunda foi “putaqueopariu, duas semanas atrás o Thiago disse que gostaria de ter um filho chamado Damião. que tipo de pessoa transa sem camisinha antes de tratar de assuntos sérios como esse?” (nada contra os Damiões, mas o nome não está mesmo entre os meus preferidos).

eu tava sozinha no sítio, anoiteceu, Thiago chegou durante a madrugada e, quando contei, sou capaz de apostar um milhão de reais como a primeira coisa que ele pensou foi “putaqueopariu”, mas só arregalou um olhão e disse “ih…”.

dia seguinte, outro xixi noutro potinho – dessa vez de nome mais respeitável, mas de forma alguma tão inesquecível quanto Gravindex –, duas linhas fortes e duas risadinhas meio discretas no lugar dos palavrões. outro dia seguinte, um exame de sangue, um positivo indubitável e algumas risadas gostosas no lugar das discretas. “positivo? bom!”

bom! e, afinal, a gente ainda tinha muitos meses pra sair da barraca de camping e pra digerir a maluquice gostosa em que tava se metendo…

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4 comentários sobre “travessia

  1. Thiago Virgilio 26/09/2013 / 11:38

    Ótimo texto!!
    E ainda em tempo, parabéns aos dois!!
    .
    MUITA saúde pros 3!
    =)

  2. Lucas Cavalcanti 26/09/2013 / 23:06

    Raquelzinha, que texto gostoso de ler!!!
    Adorei saber que você voltou a escrever aqui… Por favor, mais histórias!

  3. Rita Elizabeth Pimentel Torres Gurgel 04/10/2013 / 00:29

    Raquel linda descrição de como foi a surpresa. Muito real, adorei!!! Ah! e adorei a “realidade” também, vou ser vovó!!!!
    Beijocas para vocês.
    Mãe

comentários

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