duende

“Es mejor callar si lo que se va a decir no es más bello que el silencio”, fue lo primero que le oí a mi duende en la primera vez que se me apareció.

 

a gente nao conhece nada de literatura hispanoamericana. bom, quando digo “a gente”, é claro que na verdade estou me referindo a mim mesma, mas tenho certeza de que há muitos como eu. quem a gente lê? garcia márquez, borges, galeano,  neruda e mais meia dúzia de gatos pingados. e a situação dos hermanos – pelo menos os argentinos – em relação ao Brasil não me parece ser muito diferente: o único autor “nosso” que eu realmente vejo muito por aí é o paulo coelho, e olhe lá.

 

Después insistió en que una de las razones de por qué se quedaba en esas soledades – además de haberse empapado como cualquiera de esos hombres llegados del sur del país – era porque el desierto constituía una gran lección de austeridad. Que si la gloria la daban los palacios y la fortuna los mercados, la virtud solo la entregaba el desierto.

 

penso que não seria nada mal estudar um pouco os escritores dos países vizinhos na escola, nem que seja para ter uma vaga ideia de quem e como são. afinal, vivemos aí coladinhos e temos uma história tão próxima… mas não: a gente lê goethe e não lê um uruguaio (bom, não sei como está agora, né? mais uma vez, estou lembrando minha própria experiencia).

 

Mientras la camioneta se internaba en los territorios más áridos de la pampa, mirando a través de la ventanilla, recordé cuando Su Santidad Juan Pablo II barrió olímpicamente con el Purgatorio al anunciar urbi et urbi que este no existía. Para mí, desde niño había existido concreta y geográficamente: el Purgatorio era el desierto de Atacama.

 

tenho dito por aí, quando me perguntam, que nosso desconhecimento se deve mesmo em parte ao fato de que na escola enfatizamos a literatura de língua portuguesa, mas nem isso é verdade, já que não me lembro de jamais ter lido nenhum autor de angola ou mocambique na escola, por exemplo.

o fato é que, no meu caso específico em relação à literatura em castelhano, algo que me atrapalha é justamente o idioma. no fundo, eu sempre prefiro ler coisas que foram escritas originalmente em português, porque é o que eu consigo compreender mais profundamente. quando leio uma traducão, por melhor que ela seja, sempre acho que estou perdendo algo. e quando leio algo estupendo em português, como grande sertão ou macunaíma, me interrompo toda hora e digo a mim mesma: cacete, que maravilha é ser brasileira, porque isso nao teria metade da graca em nenhuma outra língua!

 

Era la pampa, el salitre, la sequedad, el desierto de Atacama. Yo tenía doce años y nunca había visto la mar. (…) Partíamos temprano al día siguiente, así que yo me fui a acostar de los primeros (estaba todo embalado, menos los colchones). Pero no fue a dormir que me recogí esta noche, sino a pensar, a imaginar, a soñar la mar. No el mar, sino la mar. La mar como la María; como la María que tenia ojos del color del mar. Que era azul, pero más que azul, había dicho mi hermana; que era verde, pero más que verde; que era como verde y azul revueltos, ¡Verdeazul como los ojos de la María!, dije yo casi gritando. Mi hermana sonrió. Ella siempre había sospechado que a mí me gustaba la María.

 

daí que, com os livros em castelhano, também sempre tenho mais vontade de ler os originais. só que, além de essa nao ser minha língua, o que dificulta as coisas, tem ainda o agravante de que livros importados são tão mais caros… por isso, nesta viagem, tô aproveitando para sempre ler o que me cai nas mãos e também para comprar alguma coisa aqui e ali.

 

De modo que yo ni en películas ni en fotos ni en sueños conocía la mar. Simplemente no me la imaginaba. Y mi hermana llegó esa tarde del puerto mostrando un tesoro de cosas nunca antes vistas por mis ojos, cosas del mar. Traía caracolas, traía conchas, traía huiros, traía estrellas de mar. Huele, me decía, es el olor del mar. Y mis sentidos se llenaban de sensaciones extrañas y peregrinas.

 

meus critérios de seleção não são confiáveis, de forma alguma: escolho livros de menor preço, tamanho e peso. e, mesmo assim, “no escuro”, tenho tido algumas surpresas muito boas, como ao descobrir a sensibilidade de silvina ocampo e a prosa divertida de leonardo castellani. até coisa de criança eu já li: umas histórias excelentes de elsa bornemann.

uma das últimas coisas que li me encantou: um livreto de hernán rivera letelier. filho de um trabalhador de salitrera (e ele próprio minerador enquanto jovem), é um chileno nascido no sul do país, mas criado no deserto do atacama. os trechinhos que estão espalhados nesta postagem sao do “Romance del duende que me escribe las novelas”. bonito, não?

 

Poco después, tal como lo había vaticinado mi duende, la oficina Buenaventura paralizó sus faenas. Apagó sus chimeneas, despidió a sus trabajadores, desmanteló su maquinaria y se convirtió en otro de los cientos de pueblos fantasmas que penan en la soledad del desierto.

Las mujeres, los niños y los hombres más viejos lloraban inconsolables mientras cargaban los camiones con sus pocos bártulos. Aunque ese era el desierto más triste del mundo, aunque ahí habían sido explotados sin misericordia, aunque el clima era verdaderamente de planeta deshabitado (a mediodía el sol achicharraba como el carajo y al amanecer había que partir el agua con un hacha), aunque nada allí les era propicio, ellos no querían irse. Y lloraban. Y yo lloraba con ellos.

 

agora estou em buenos aires, este paraíso dos libros de 3 reais. espero continuar encontrando coisa boa por aí.

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2 comentários sobre “duende

  1. Elizabeth Pimentel Torres Gurgel 07/05/2012 / 23:59

    Raquel
    Emocionou-me a leitura que fiz nesta página maravilhosa.
    Parabéns!
    Beijocas

  2. Paulo Cesar Gomes gurgel 08/05/2012 / 00:49

    Caraca!!! excelente texto!!! Parabeeennnsss!!!
    Raquel, estou sentindo falta de umas fotos atuais “suas”: cabeça, tronco e membros (rsrsrsrs)
    muitos beijos do velho Pai

comentários

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